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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TV aberta cresce 25% no 1º semestre

Juliana Welling

Investimentos ligados à Copa do Mundo e novidades nas grades das emissoras favoreceram aumento de faturamento este ano



Em ano de Copa do Mundo, natural que os investimentos publicitários direcionados aos diveR$os meios de comunicação sejam intensificados. Os resultados alcançados no primeiro semestre de 2010, de acordo com números do Ibope Monitor, confirmam esse desempenho. De janeiro até junho o total da receita investida nos meios TV aberta, jornal, TV por assinatura, revista, internet, rádio, cinema e outdoor contabilizou R$ 35,050 bilhões. Em 2009, a verba foi de R$ 28,059 bilhões.

Segundo os dados divulgados pelo instituto, a TV aberta recebeu, nos primeiros seis meses do ano, mais de R$ 18,848 bilhões em receita publicitária contra os R$ 15,038 bilhões destinados ao meio no mesmo período do ano anterior, representando aproximadamente 25% de aumento. Assim como nos demais anos, o veículo continua na liderança do share publicitário, com 53,8% de participação.

Em seguida está o jornal, que conquistou no primeiro semestre R$ 7,492 bilhões dos investimentos. Já nos primeiros seis meses de 2009 o meio contabilizou a receita de R$ 6,314 bilhões.

Após o jornal, a TV por assinatura é o meio que mais se destacou nos primeiros seis meses de 2010. De acordo com os dados do Ibope Monitor, recebeu de janeiro a junho R$ 2,786 bilhões em receita publicitária. No mesmo período de 2009, os investimentos ficaram em torno de R$ 2,200 bilhões.

ANO AQUECIDO

Assim como apontam os dados do Ibope Monitor, o primeiro semestre das TVs abertas foi marcado por uma forte movimentação na área comercial. Além do evento da Copa do Mundo, novidades na grade de programação e o aquecimento da economia foram os principais motivos apontados pelas emissoras para o aumento do faturamento publicitário do setor. O SBT, por exemplo, obteve crescimento de 32% no faturamento publicitário neste primeiro semestre de 2010. De acordo com Henrique Casciato, diretor comercial da emissora, este é o melhor resultado do SBT desde 2005. "Em 2009 já havíamos crescido 11% em relação a 2008. O período de Copa é bom para todo mundo. Mas a grande procura comercial também se deve à boa situação econômica do País e à grade diversificada e estável do SBT", afirmou Casciato.

Em um segundo semestre que poderá ser abalado devido à veiculação do horário eleitoral - que neste ano vai de 17 de agosto a 30 de setembro -, o diretor comercial do SBT prevê um crescimento de 10% em relação a 2009, "Para 2010 prevemos um aumento de 15% no faturamento da emissora", destacou o executivo.

Detentora de mais de 60% de toda a verba publicitária para o meio televisivo, a Rede Globo não revelou dados sobre o seu faturamento. Mas conforme Willy Haas, diretor geral de comercialização da Rede Globo, a emissora obteve resultados positivos. "A manutenção de nossos altos índices de audiência se traduziu em investimento publicitário consistente. Entre janeiro e abril, por exemplo, o mercado publicitário cresceu 25,9% e a TV aberta aumentou 33,1%", disse Haas, acrescentando que os investimentos em mídia em 2010 devem apresentar crescimento expressivo.

Para o executivo, a Copa do Mundo movimentou significativamente o mercado anunciante, que investiu em campanhas direcionadas, envolvendo tanto a indústria quanto o varejo.

O diretor executivo comercial da Band, Marcelo Mainardi, também aponta crescimento no faturamento da emissora neste primeiro semestre. De acordo com Mainardi, a Band obteve 44% de aumento em relação ao mesmo período de 2009. "A Copa, sem dúvida, é um anabolizante. Mas o crescimento também diz respeito à nossa grade nova, que estreou no dia 2 de maio", explicou Mainardi, complementando que a partir de agosto a emissora apresentará novidades em sua grade de sábado, com a meta de "rejuvenescer" a programação do canal. Segundo o executivo, novas contratações poderão ocorrer. Para 2010, a previsão de crescimento é em torno de 35%.

Já a Rede TV! apresentou crescimento de 20% nos primeiros seis meses do ano. De acordo com Otaviano Pereira, superintendente comercial, apesar da emissora não deter os direitos de transmissão da Copa, a Rede TV! pôde rechear a programação com conteúdo relativo ao evento esportivo. "Conseguimos, com isso, gerar ganhos de audiência e movimentar o mercado anunciante. Mas o aquecimento da economia também favoreceu esse crescimento", afirmou Pereira. A projeção do executivo é de que, em 2010, a Rede TVI obtenha cerca de 30% de aumento de seu faturamento em relação a 2009.

De acordo com Walter Zagari, vp comercial da Rede Record, de janeiro a junho a emissora obteve 50% de crescimento no primeiro semestre de 2010. "Esse desempenho sinaliza um segundo semestre também bastante promissor. Estamos projetando um crescimento em torno de 40%", afirmou.

Fonte Página Caderno

Propaganda & Marketing 29

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Leite de Rosas - Tradição com modernidade



Há mais de 80 anos no mercado brasileiro, Leite de Rosas é passado de geração em geração não só por seus consumidores. O comando da empresa carioca na época de sua fundação, em 1929, era de Francisco Olympo de Oliveira e desde então a marca começou a ganhar mercado com a imagem de misses em propagandas. O frasco rosa é tradicional e poucos sabem que surgiu por necessidade e não por resultados de pesquisas.

A empresa foi fundada em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e o produto era embalado em vidro transparente, o que restringia o acesso às classes mais altas por conta do preço elevado para transportar o material. Hoje, o Marketing da companhia trabalha com base em resgatar o glamour da época dos frascos de vidro e mantendo o foco no ponto-de-venda por meio do mote “vai bem com todo mundo”.


A revolucionária e chamativa embalagem rosa ganhou as gôndolas na década de 1960, quando o braço direito do fundador, Henrique Ribas, assumiu a empresa e optou pelo uso de plástico. Assim, mais barato, o produto se tornou acessível a todas as regiões do Brasil. Para acompanhar o mercado e construir uma marca forte, novas fragrâncias e embalagens foram lançadas ao longo das oito décadas de história da companhia.

Embalagem cria identidade

Após um longo período em que a fábrica da empresa era no Rio de janeiro, a matriz de Leite de Rosas migrou para o nordeste, em Sergipe. Mas, o crescimento no mercado de produtos de beleza e o reconhecimento cada vez maior dos brasileiros não deslumbraram a diretoria a ponto de iniciar um processo de internacionalização da marca. “Não queremos ser uma Unilever e tão pouco uma multinacional”, afirma Juliana Block, Gerente de Marketing de Leite de Rosas.

Apesar de focada apenas no Brasil, Leite de Rosas ganhou mais do que consumidores. Ganhou admiradores e seguidores. De maneira discreta e eficiente a marca ocupa quase todos os estabelecimentos comerciais de produtos de beleza e é presença garantida no banheiro da vovó. Já de sua cor não se pode dizer o mesmo. Nada discreta e, ao contrário, muito impactante, o objetivo de Henrique Ribas era destacar a embalagem de Leite de Rosas nas prateleiras ocupadas, em grande maioria, pelos comuns e sem graça frascos brancos.

Mesmo assim, recentemente a companhia abandonou a sua principal característica física em nome da inovação. E se arrependeu. A demanda por embalagens modernas e o consequente acompanhamento mercadológico da marca não demorou a iniciar a produção das embalagens roll-on. Porém, a companhia cometeu um grave erro que imediatamente mostrou-se percebido por seus consumidores: o fracasso do produto em embalagem branca. “Quando lançamos o roll-on na cor branca, tivemos vendas entre 15 e 30 mil unidades no mês. Ao mudarmos a cor para o característico rosa, atingimos 100 mil produtos vendidos”, diz Juliana em entrevista ao Mundo do Marketing.

Novos produtos e pontos-de-venda

A experiência ajudou a marca a não esquecer suas origens. Tanto que o lançamento das novas embalagens aerosol, previsto para o primeiro semestre deste ano, passaram por pesquisas em grupos antes de iniciar qualquer etapa de produção. Nas cores tradicionais, a fragrância “carro-chefe” da companhia será lançada junto a duas novas opções: fresh, voltada para homens; e pétalas, com perfume mais suave que o tradicional, para mulheres.

Para atingir uma média de três milhões de frascos vendidos todos os meses no Brasil foi – e ainda é – preciso investir no trade. Da mesma forma que a empresa conduz seu negócio de forma familiar e transparente, o relacionamento com os distribuidores é essencial para o sucesso. “O objetivo é oferecer o produto em todos os canais possíveis. No supermercado Guanabara (no Rio), por exemplo, temos uma gôndola só de Leite de Rosas”, conta a Gerente de Marketing.
Em 2010, o foco será na divisão dos canais para que a marca tenha mais visibilidade. Nesta empreitada, Leite de Rosas já tem vantagem por ter uma aceitação muito grande tanto de atacadistas quanto de varejistas. Para o Marketing da empresa, tamanho prestígio leva o departamento a alçar voos maiores e mais ousados. “Temos planos de criar um espaço Leite de Rosas. Não seria uma loja, mas algo diferente”, admite Juliana.
Tradição e glamour na Era digital

Embora não tenha data definida ou verba disponível para lançar um ponto-de-venda próprio, Leite de Rosas aumentou sua abrangência com a versão digital. A história da marca também virou livro. Em comemoração aos 75 anos da empresa, a obra foi distribuída nas principais livrarias do país para comércio.

Apesar de não poder levar seu perfume característico para o consumidor pela internet, a marca já está nas principais redes sociais. No site, a empresa trabalha na construção de um banco de dados de olho no resgate e no aumento das interações com o consumidor. Ao completar 80, Leite de Rosas criou ações on-line e investiu em merchandising para ganhar ainda mais visibilidade.
Em 2010, os planos estão voltados para o lançamento de produtos e no resgate ao glamour de outrora, porém com mais conhecimento de causa e também de efeito. “Estamos sempre pensando na frente, mas tudo hoje é pautado em pesquisas de mercado detalhadas”, completa Juliana.

Mundo do Marketing Online